Há futuro para nós?

Com as tripas em guerra, desembrulho com tiques de gato a língua enquanto cuspo duchampianamente a xaropada caleidoscópica e sem sal impingida gradamente pela turba de pós-tantãs alucinados pelo pós-modernismo e pela metacomédia de salão desses neoacagaçados — essa prosa desenxabida entrecortada pela empatia analfabeta e canibal de germofóbico, sem ambição de tocar sequer um pintelho do inferno do outro. Tudo isso me dá asco. Os humoristas portugueses que, diante do Tártaro montado, (que da temporada no inferno confecionam uma desenxabida série da Netflix) sugerem rebranding, terapia e viagens. Não se vê pinga de colhões no discurso. Ponham-se às cavalitas uns dos outros para simular gigantes. Seja em que formato for, simulacros de pólvora não chegam para bosquejo de verso, foda-se não fazem nada com a vossa fome, só apetites de desdentado politizado à direita com os slogans bem-intencionados no coldre, prontos a disparar ao mínimo incómodo, o tempo há-de dar-vos a todos a vala comum dos diplomatas de mão amputada, os quais tentaram rebobinar a fúria a fúria a fúria da pólvora à força de cuspo, a qual salita com a cinemática do lucro das bocas das marcas para a vossa num corrupio de passarinhos e passarões, sem que daí resulte o filme da nossa vida, o grande rodapé onde o esquecimento sepultará de supetão e sem engulhos uma geração inteira de artistas. Bastaria uma frase para que tudo fosse diferente. Disseram-nos que não havia futuro, saímos à rua e parece que houve um equívoco. Há futuro mas, como diz o outro, não é para nós.


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