Esteta da nova escola e a perfeição desdentada

O esteta acagaçado da nova escola esbanjou a vida em busca da perfeição desdentada sem que nenhuma nota de rodapé densificasse a intenção. No parecer de testículos privilegiados com propensão para a comédia siamesa do branding, quer dizer, sémen estéril que não passará de boca em boca, o quadro mais célebre de Edvard Munch intitula-se O Berro. Noutras vinhetas dessa estória, nas catacumbas do guião do protagonista, o anónimo à procura do nome dinamitou as últimas décadas a respigar do silêncio as frases mais afiadas com vista a concretizar o sonho de um dia se tornar regicida de falsos iconoclastas. Amargurou-se até ao zero absoluto de não ter sabido atempadamente que o talento é liliputiano ao pé do networking entre nobres de sangue azul personalizável, conforme a luz partidária que incida nele, ressentido, todavia não a ponto de a mão se afigurar romba. Fecho a mão e dou à luz uma ninhada de facas, cogita no caderno até há pouco em branco. Incapaz de dar corpo a uma obra-prima, segundo as más-línguas, vulgo cabeças iletradas inábeis em discernir um soneto de Camões de um slogan de latrina. Ghost-writer a contragosto (e isso assombrava-o quando as sílabas não tombavam caudalosamente), pois escreveu para os outros, mas só o soube muito mais tarde, quando, estupefacto, viu as suas piadas estropiadas na boca de papagaios em ascensão.

Marcado pelo estigma da improdutividade, o sucesso acontece a quem trabalha, ouviu ele da boca do seu infatigável plagiador. Nesse dia engoliu uma população de sapos e por pouco não conduziu à extinção um sem-fim de espécies desses húmidos animais. Eterno insatisfeito, criticavam-no, só por não engrossar o coro acrítico de anuência em torno do mais recente cometa na arte das larachas. Desabavam amiúde em piroclásticos sarcasmos, quiçá com o fito de o afugentar, porém com a distância de segurança assegurada. Ao que parece, nunca se esqueceram da sua cólera verbal. Um contra muitos só o agigantava. A segurança dos números é para quem não está disposto a sepultar-se na folha.

Um século onde ninguém se olha nos olhos, a não ser por descuido, mas aí pede-se desculpa. Nutria e nutrirá sempre asco pelos jogos de bastidores, não ignorando que Dioniso, deus da comédia, tragédia e insânia, é maravilhosamente múltiplo. Foram décadas que mais pareceram milénios de recalcamento, a alimentar monstros com numerosos infernos, a encolher-se dentro de si próprio a fim de não chocar ninguém com a sua vera estatura. Jurou vingança onde mais gosta de lutar. Independentemente da temperatura a que a vingança é servida, o opressor embasbacar-se-á sempre. Não estava à espera disso, gritará, pela primeira vez na sua linhagem. Eis o resultado de ser seduzido pelas sereias do Narcisismo.

O nome sonante ousa conspurcar a dignidade de X., aparentemente sem interesse nem relevância, apesar do escrutínio vígil de que é alvo X., o homem incógnita, ele prossegue incapturável. Procuram-no onde ele nunca esteve, a saber: feiras das vaidades. Desconhecido até para ele mesmo. Seja ele capaz de mimosear a fome com pitéus cada vez mais selvagens e talvez logre virar o jogo no último segundo a seu favor.


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